Campeão olímpico defendeu base do Serrano

Preparador físico Marcos Seixas trabalhou no ouro inédito

A história de conquistas olímpicas de ex-jogadores do Serrano acaba de ganhar um novo personagem, um novo capítulo. Depois da prata na edição de Seul 1988, do meia Milton, que atuou pelo clube nos anos 80, agora a medalha tem uma nova cor. O preparador físico Marcos Seixas, que jogou na base do Leão da Serra por três anos no início da década de 90, integrou a comissão técnica do inédito ouro do Brasil no futebol.

 

O time estrelado por Neymar, com Weverton, Renato Augusto, Gabriel Jesus e companhia, sob o comando do técnico Rogério Micale, superou a desconfiança e as dificuldades do início para chegar ao tão esperado triunfo que grandes como Romário, Bebeto, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho não haviam conseguido. Lá estava Marcos Seixas, carioca, 41 anos, responsável pela preparação física do grupo na competição de seis partidas dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

 

- É uma felicidade muito grande. O Brasil sempre teve equipes muito boas, excelentes e nunca tinha conquistado uma medalha de ouro. E a pressão era muito grande até por ser em casa. É um sentimento de muita satisfação, de dever cumprido porque esse era o objetivo principal. Uma alegria muito grande por saber que a gente vai ficar para a história por ter sido a primeira geração campeã olímpica do futebol brasileiro - festeja o ex-atleta do Serrano, que jogou pelo clube entre 1991 e 1993.

 

O ouro chegou após muito trabalho e estudo. Formado em Educação Física pela UFRJ com pós-graduação em Treinamento Esportivo e Fisiologia do Exercício pela Gama Filho, Marcos Seixas, desde 2013, é preparador físico do Figueirense, de quem recebeu homenagem na volta a Florianópolis, no começo da semana. Seu início foi como estagiário nas categorias de base do Fluminense, em Xerém, onde ficou de 2000 até 2005, quando foi para o profissional como auxiliar de preparação física e seguiu até o fim de 2008.

 

Entre muitas andanças pelo interior paulista, Minas Gerais, nordeste e até por Portugal, passou mais uma vez pelo Flu já como preparador físico, em 2009, com Parreira, um dos treinadores de renome com quem trabalhou além de Abel Braga, Cuca, Renato Gaúcho e mais um serranista: René Simões. Em março de 2015, foi convidado para integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira sub-20 e olímpica, que teve o treinador Rogério Micale confirmado para buscar e conquistar o ouro no Maracanã, no último sábado.

 

A ligação com Petrópolis vem de família, da casa dos pais em Nogueira e dos avós que moraram na serra por anos. Continuou no Serrano quando vinha treinar do Rio duas vezes por semana, depois de ser dispensado pelo América. Já como profissional de Educação Física, trabalhou numa escola municipal como professor concursado, de 2001 a 2005, enquanto era possível conciliar com as atividades no Fluminense. Dos três anos do Serrano, guarda lembranças desde o time infantil de 1991.

 

- Realizei o sonho de jogar o campeonato estadual contra grandes equipes, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, enfrentando jogadores que depois viriam a ser famosos, conhecendo estádios, enfim, tendo a rotina de um jogador de futebol de divisões de base. Apesar de desgastante, foi talvez a melhor época da minha vida, dessa fase de juventude, de 15 a 17 anos, uma época muito bacana - lembra. - Engraçado que mesmo depois de muitos anos, quase 25, tenho esses amigos. São recordações e experiências que levamos para toda a vida.

 

Marcos jogava pela lateral direita do time juvenil que disputou a Taça Rio 1992, uma competição nacional no Caio Martins, quando o Serrano avançou até as oitavas de final e foi eliminado nos pênaltis pelo União Bandeirante do Paraná. Experimentou ainda o calor da rivalidade local em um duelo com o Petropolitano. Entre os amigos e companheiros de time lembrados, estavam o meia Ricardo, o "Escadinha", e o primo Rodrigo, um dos responsáveis pela sua ida para o Azul e Branco.

 

- Fui reencontrar o Marcos doze anos depois em Xerém quando ele já trabalhava na base do Flu e eu, em um projeto de escolas de futebol do próprio Fluminense. Anos depois, fiquei muito feliz de vê-lo como preparador físico do profissional  na conquista da Copa do Brasil 2007. É uma felicidade enorme ver um companheiro de equipe daquela época vencer no futebol, mesmo que em outra função, assim como tantos outros que seguiram outros caminhos - diz o empresário Ricardo Fernandes.

 

Com a medalha de ouro inédita para o futebol do Brasil no currículo, Marcos Seixas segue sua carreira com foco em novas conquistas e aprimoramento constante no competitivo mundo da bola. Ele comemora o retorno aos gramados do Serrano, que conta no elenco com um jogador com quem trabalhou por anos no Fluminense: o atacante Marcelo Macedo. O profissional expressa seu apoio ao projeto atual e sua torcida por novas conquistas do clube de Petrópolis.

 

- Tenho uma relação muito bacana, um carinho muito grande pela instituição e torço muito para que o Serrano consiga, nessa reestruturação que está sendo planejada e que tem feito muito bem ao clube, estar futuramente no lugar onde merece, que é a primeira divisão do Rio de Janeiro. Tenho certeza de que os profissionais que viveram o clube, que têm esse carinho, essa relação, são as pessoas que vão reerguer e fazer o Serrano maior - finaliza o campeão olímpico.


O caminho dourado de Marcos Seixas ilustra a importância do futebol em atividade, do clube e das divisões de base, seja na formação de jogadores profissionais ou de vencedores em quaisquer áreas. A prata de Milton homenageada na camisa especial do centenário ganha um novo contorno. É uma inspiração a mais, uma página especial para o Serrano, que, aos 101 anos, tem muitas a escrever. Camisa com História não morre, brilha como prata e reluz como ouro.

 

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